Tantas vezes pensei em esquecer-te, mas não o fiz, tantas vezes desejei que me esquecesses, mas tu não o fizes-te, pois na verdade és insubstituível e nunca, jamais, em tempo algum, alguém vai conseguir mudar o que sinto.
Se me perguntarem se já te pôs para trás das costas, eu respondo que sim, mas fi-lo sem nunca te esquecer, posso por tudo o que passamos para traz das costas, mas recordando-me de ti a cada minuto.
Custa, dói muito, mas se já não és o que em tempos foste é melhor assim do que voltar a sofrer, mais e mais, assim apenas me lamento agora por tentar esquecer-te, do que me lamentar o resto da vida por ser ignorante e fraca por nunca o ter feito.
Lamento tudo o que me fizes-te, pois nunca pensaria que fosses capaz de o fazer, agora não nego o quanto me fizes-te sofrer, quantas lágrimas eu derramei sem querer faze-lo, tudo o que senti sem querer sentir, o silêncio que fiz quando o que mais me apetecia era gritar, quantas vezes acordava com os olhos encharcados e o que tinha de fazer era levantar-me e sair de casa com mais um daqueles sorrisos falsos, para que ninguém notasse no quanto eu sofria naquele momento.
Agora passado este tempo confesso perante este inútil papel o quanto ainda choro sem querer, o quanto ainda penso em tudo o que fizes-te, o quanto ainda penso nos momentos em que fizes-te sorrir e quando te vejo confesso que faço um enorme esforço para ter aquele sorriso nos lábios que eu e apenas eu sei o quanto custa tê-lo nos momentos em que te criticam, nos momentos em que falam de ti e nos momentos em que te vejo.
Agora resta-me continuar a acordar com um sorriso e sorrir para tudo, mesmo quando o que mais me apetece é deitar o mundo a baixo e refugiar-me no meu pequeno canto de sofrimento. Amo-te…
(A carta que eu nunca te escrevi...)
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